O que vem depois da transformação?

Hoje em dia, trata-se de um termo muito usado, que muitas vezes não descreve, na verdade, nenhuma mudança significativa. Já o vi ser utilizado para descrever, por exemplo, atualizações de rotina para a próxima geração de software. Isso não é transformação. Para nós, «a transformação é a revisão profunda de tudo o que se encontra dentro da área abrangida, com o objetivo de permitir a criação de um ambiente que funcione da forma mais eficaz e eficiente para satisfazer as suas necessidades». Muitas vezes, isto pode e deve incluir também uma revisão comportamental.

Esta revisão tem frequentemente um caráter cíclico e pode ser muito benéfica para as organizações. Muitos de nós já assistimos a revisões que visavam centralizar serviços num ano e, poucos anos depois, descentralizá-los. Poder-se-ia argumentar que a decisão de seguir um caminho ou outro não é importante; o que realmente importa é a revisão e a compreensão de quais os elementos que acrescentam valor. A mudança, por si só, impulsiona a melhoria da eficiência e dos processos, independentemente da direção que o trabalho venha a tomar.

No nosso mundo de mudança transformadora, acreditamos que existe um único objetivo: ser uma organização em constante transformação. As empresas com melhor desempenho que conhecemos estão sempre a transformar-se, sempre em busca de mudar as suas práticas e o seu desempenho para responder a uma procura em constante evolução. Não se trata de mudar apenas por mudar, mas sim de nos aproximarmos cada vez mais da compreensão das necessidades do mundo que servimos e de não nos darmos por satisfeitos até que essas necessidades sejam plenamente atendidas.

A verdade é que não compreendo bem o sentido de um único «projeto» de transformação. Fazer isso é partir do princípio de que, uma vez concluído, o mundo permanecerá tal como está até ao dia em que estejamos prontos para nos transformarmos novamente — esperemos que isso demore anos!!! Para mim, isso implica que poderia ser aceitável limitar-nos a melhorar ligeiramente (ou, pior ainda, permanecer na mesma) entre «transformações»???

Hoje em dia, o nosso ambiente está cada vez mais longe dessa realidade. Basta dar uma olhadela às notícias das últimas semanas para perceber que vivemos uma época de grandes mudanças, não só a nível político, mas também social, tecnológico e no mundo do trabalho. Se não formos capazes de nos adaptar e mudar, se não dispusermos de pessoas e sistemas que nos permitam a agilidade necessária para o fazer, estaremos a limitar os nossos horizontes e, possivelmente, as hipóteses de sobrevivência das nossas organizações.