Uma breve reflexão sobre como o princípio «Pull» do Lean significa muito mais do que apenas um cartão Kanban numa caixa.
Os cinco princípios do Lean são hoje em dia bem conhecidos. Muitas organizações, em praticamente qualquer setor que se possa imaginar, esforçam-se ao máximo para os implementar. Com toda esta experiência disponível, surpreende-me que, muitas vezes, esses princípios continuem a ser interpretados de forma muito literal, ficando aquém do seu verdadeiro potencial.
Gostaria aqui de abordar o princípio do «Pull». Este é frequentemente interpretado de forma muito superficial, como se nos limitássemos a «puxar» produtos e serviços através dos seus processos criativos e de valor acrescentado.
É verdade, claro. No entanto, vale a pena lembrar que este é um princípio fundamental e que não se esgota aí.
As etapas que geram valor acrescentado — aquelas que, aos olhos do cliente, conferem valor ao produto ou serviço — devem, por sua vez, mobilizar todas as outras áreas da organização para que estas as apoiem.
É frequente ver serviços de apoio, departamentos criativos e equipas de gestão a apresentar ideias inovadoras que são impostas aos processos de criação de valor sem saberem realmente quais são as necessidades desses fluxos de criação de valor.
Isto pode facilmente passar por pensamento Lean quando se recorrem a processos de eventos kaizen. As equipas colaborativas são envolvidas e termos como «fluxo» e «valor» são utilizados com um sorriso irónico e cúmplice.
A procura por parte do cliente deve estar presente em toda a organização. Este é o único motor para a tomada de medidas destinadas a melhorar o produto ou serviço oferecido.
Devemos ser firmes nesta questão e garantir que este princípio seja bem compreendido e apoiado pelos líderes lean.
A liderança deve garantir esse alinhamento de objetivos, monitorizá-lo através de indicadores e definir o mandato para que as equipas trabalhem nesse sentido.
As atividades de melhoria só são iniciadas quando estão alinhadas com as necessidades da organização e com o fluxo de valor. Isto significa que as atividades de melhoria devem envolver aqueles que realizam as atividades de criação de valor e que os benefícios obtidos se reflitam nas métricas monitorizadas no final do fluxo de valor.
O foco recai, então, na execução. O foco está principalmente nas nossas etapas de criação de valor e não nos serviços de apoio. Não se trata apenas de ter boas ideias. Trata-se de ter boas ideias com uma compreensão profunda dos problemas que estas irão resolver e dos benefícios que trazem para as etapas de criação de valor.
