Um bom amigo meu casou-se recentemente em Nottingham, a cidade onde fiz os meus estudos universitários. Já que estava na zona, decidi prolongar a minha estadia para ver se conseguia evocar alguma recordação daqueles anos da minha vida. Não consegui. Sem me deixar desanimar, passei pelo edifício da minha universidade para ver quem ainda por lá andava e como estava agora a Faculdade de Engenharia.
Para minha surpresa, descobri que o departamento de Engenharia era agora uma mera fração do que era quando lá estudei, nos anos 90. Depois de falar com os responsáveis, disseram-me que não valia a pena manter esses cursos, pois o número de alunos em cada disciplina não era suficiente.
Esta notícia foi extremamente decepcionante por todas as razões socioeconómicas óbvias e não vou entrar em questões políticas neste caso, mas fez-me questionar se não teríamos marginalizado este tema crucial ao classificá-lo em disciplinas demasiado cedo.
No cerne de todas as disciplinas de engenharia – industrial, mecânica, eletrónica e assim por diante – reside o mesmo tipo de conhecimento fundamental: o raciocínio lógico e orientado para os processos. Assim, é bem possível que, se desmembrássemos os vários tipos de Engenharia e reestruturássemos as partes pertinentes das suas filosofias numa disposição ligeiramente diferente, pudéssemos reinventar isto como algo com um apelo muito mais amplo. Seria ótimo ver esta disciplina servir de base para qualquer tipo de aplicação que se queira sobrepor, seja ela baseada em Engenharia, Marketing, Saúde, Ensino, Entretenimento ou praticamente qualquer outra coisa que se possa imaginar.
Poderíamos chamar a esta disciplina «Pensamento de Engenharia»; ela proporcionaria a capacidade de reduzir a complexidade a um nível básico de simplicidade que pode ser facilmente compreendido e manipulado para alcançar a condição desejada.
Ao refletir sobre isto, ocorreu-me que já temos este tema e que lhe chamamos «pensamento Lean». No cerne de qualquer transformação Lean está a necessidade de aplicar a lógica e compreender onde nos encontramos atualmente, definir onde gostaríamos de estar e traçar e implementar um plano de ação para lá chegar; precisamos de resolver o problema de por que razão não estamos onde queremos estar.
O paradigma de que o Lean se refere apenas a automóveis ou à engenharia de produção já pertence ao passado; trata-se de uma forma de pensar sobre processos, pessoas e os seus ambientes. Os cinco passos fundamentais do Lean constituem o cerne da disciplina. A multiplicidade de ferramentas, termos e ensinamentos são apenas aplicações que se assentam sobre essa base. São elementos que oferecem ajuda específica para resolver problemas concretos, onde quer que estes se encontrem.
O pensamento Lean não é magia negra (ao contrário do Six Sigma, que sem dúvida o é); é uma forma de abordar as coisas que começa por compreender com precisão o que pretendemos alcançar, analisando o que temos atualmente em relação a esse objetivo e, em seguida, trabalhando arduamente para alcançar o que pretendemos da forma menos dispendiosa possível.
Proporciona um quadro de referência para estruturar o nosso pensamento. É o ambiente em que trabalhamos que define os pormenores e o resultado final. Se aplicada com rigor e da forma correta, a aplicação do Lean é ilimitada, tal como as suas possibilidades de soluções.
